quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

"Lincoln" e a direção medieval de Steven Spielberg

Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Tony Kushner, Paul Webb
Gênero: Drama
Elenco: Daniel Day-Lewis, Sally Field, David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, James Spader, Tommy Lee Jones

Dentro do ramo cinematográfico  Steven Spielberg é um dos nomes mais conhecidos a um bom tempo, é o responsável por várias dessas grandes produções que encheram salas de cinema, levaram prêmios para casa e conquistaram pessoas pelo mundo todo, emocionando (na maioria das vezes da forma mais fácil e idiota possível) ou simplesmente prendendo o espectador na cadeira. De quebra, ganhou reconhecimento da crítica em diversos projetos, e sim, é rotulado como um bom diretor. Rotulado.

Com seu novo filme, indicados em 12 categorias no Oscar (um verdadeiro exagero da Academia, que consegue ser mais medieval que o próprio Spielberg), nota-se claramente sua fragilidade ao conduzir tudo aquilo, levando seu trabalho no "piloto automático" e  entregando cenas parecidíssimas (um exemplo típico que se repete inúmeras vezes, são homens discutindo política em alto tom de voz, quando são interrompidos por alguém "importante" que fala algo específico para que quem assiste entenda aquela confusão, com uma música de fundo horrorosa). Em "Cavalo de guerra", seu longa metragem anterior, havia uma leve homenagem à Era de Ouro de Hollywood, havia um tom interessante, que em "Lincoln" é inexistente. Querendo ou não, a direção é assinada por um homem de extremos, ou apela emocionalmente pedindo as lágrimas do público, ou afoga-o no tédio.

Historicamente importante, retrata a abolição da escravatura nos Estados Unidos, e o confronto de ideias entre pessoas para que isso viesse a se tornar realidade. E claro, como não poderia deixar de ser, em termos de fotografia, direção de arte e figurinos, temos um espetáculo em mãos. As atuações de Daniel Day-Lewis (um dos melhores atores da atualidade) e Sally Field beiram a perfeição, e nos fazem pensar em como seria agradável substituir todo aquele drama político frio por uma viagem pessoal na vida daqueles dois personagens que por meio de alguns diálogos, pareciam ter tanto contar. Talvez as cenas entre o casal Lincoln e a apresentação do lado humano do presidente sejam os pontos fortes aqui, o que segurou a produção e não deixou tudo virar política.

Pode-se concluir que é coerente, chato em alguns momentos, mas não decepciona em termos de coesão e informações, entrega com tanta eficiência o que promete que é quase documental, aí se encontra a frieza dos diálogos e o abismo para com seu público. A magia do cinema é sentida quando nos envolvemos completamente no filme, quando pulamos de cabeça e acreditamos na veracidade de tudo, mas em "Lincoln" nos sentimos desconfortáveis, é como se a respiração de Spielberg fosse percebida atrás das câmeras, como se sua voz fosse surgir a qualquer momento dizendo "corta", "gravando", "próxima tomada". Um diretor com tanta fama e dois Oscars em casa deveria entender disso.

Nota: 5.5

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

TOP 5: O fim do mundo no cinema

Para muitos que interpretaram o calendário maia, o mundo acaba neste 21/12/2012. Mas no cinema, ele já acabou inúmeras vezes de diversas maneiras, confira a lista dos que talvez, sejam os melhores filmes sobre o "Fim dos tempos".

5 - A estrada (2009)
"A estrada" é uma visão apocalíptica de um futuro não muito distante, de um planeta totalmente devastado e de um pai que luta para sobreviver junto ao seu filho. Um olhar muito pessoal dos realizadores do filme para com o "fim", mas não deixa se ser realista ao que se propõe a mostrar, focando no drama e na qualidade narrativa, ao invés de apelar aos clichês e tornar-se algo comercial e dispensável como "2012", lançado no mesmo ano.

4 - WALL-E (2008)
A produção da Pixar sobre um robô que é deixado na Terra quando a mesma não pode mais ser habitada por humanos, ganhou o mundo, e o Oscar daquele ano de melhor animação. Não é exatamente um filme sobre o "fim dos tempos", mas retrata a devastação do planeta, completamente acabado, e a humanidade vivendo no espaço, longe de todo o lixo que aqui ficou. O recado foi dado de maneira eficiente e claro, não poderia ficar de fora em nossa lista.

3 - Os 12 macacos (1995)
A história é sobre um presidiário que aceita fazer uma viagem no tempo para conseguir informações sobre um vírus mortal, que destruiu quase toda a humanidade. É até certo ponto complexo, seu roteiro jamais decepciona e é dirigido com habilidade por Terry Gilliam, que aqui expôs o fim de nossa "raça" à sua maneira, sem abusar dos exageros da maioria das produções apocalípticas para prender seu espectador na cadeira. 

2 - 4:44 Last Day on Earth (2011)
Dirigido por Abel Ferrera, famoso pelos excelentes "Vício Frenético" (1992) e "O rei de Nova York" surpreendeu com seu parecer sobre o fim do mundo. Diferente dos filmes catástrofes que lotam as salas de cinema, o diretor fez de seu "4:44" um tratado de redenção do homem para com o seu fim. Vemos um casal de meia idade se preparando para aquele que será o último dia de suas vidas, e as únicas explosões e destruições são as que ocorrem dentro dos corpos condenados dos protagonistas.

1 - Melancolia (2011)
Um poema visual, uma obra de arte incomparável e o ápice da carreira de um grande diretor. Melancolia teve sua estréia  no Festival de Cannes, onde a atriz Kirsten Dunst conquistou o prêmio de melhor atriz. O longa do diretor dinamarquês Lars Von Trier conta a história de duas irmãs, Justine e Grace, e como cada uma lida com a morte inevitável, quando o planeta "Melancholia" esta prestes a se chocar com a Terra. Pode ser considerado não apenas o melhor filme "catástrofe" do cinema, mas também um dos melhores filmes de todos os tempos, com sua crítica social e um doce pesar pelo fim de nossa miserável existência.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Direção: Jacques Audiard
Roteiro: Jacques Audiard, Thomas Bidegain, Craig Davidson (estória)
Gênero: Drama
Elenco: Marion Cotillard, Matthias Schoenaerts, Corinne Masiero, Armand Verdure

Todos tememos a solidão. Pode-se dizer que ela é mais um daqueles fantasmas que rondam a vida de todos nós por anos, esperando o momento certo para se instalar em nossos corpos e se alimentar do que nos sobrou de melhor. A ideia de morrermos sozinhos, de não termos alguém com quem contar e o medo em relação ao futuro incerto, são apenas alguns dos demônios internos que os personagens de "Ferrugem e osso" tentam exorcizar durante as duas horas de duração do longa metragem do diretor Jacques Audiard (nome responsável também, pelo elogiadíssimo "O profeta"). É um filme sobre a dor, sobre pessoas comuns a quem coisas ruins aconteceram, um filme marcado pela angústia e também por um fio de esperança, quase imperceptível, que indica o caminho para a redenção pessoal de seus sofridos protagonistas.

Apresentado no festival de Cannes deste ano, conta a história de dois estranhos, que se veem unidos através de suas tragédias. Alain (Matthias Schoenaerts) é um lutador fracassado que trabalha como segurança em uma boate noturna para sustentar o filho pequeno. Lá ele conhece Stéphanie (Marion Cotillard), uma treinadora de baleias orcas que acabou se envolvendo em uma briga. Após um terrível acidente que deixa Stéphanie sem as duas pernas (como o trailer apresenta), a relação entre eles se intensifica, e temos o inicio de uma amizade.

O que chama a atenção no filme de Audiard é a carga emocional pesada, mas de maneira alguma apelativa. As camadas de dramas em que os protagonistas são inseridos vão se tornando cada vez maiores. Enquanto Alain se envolve com negócios ilegais para conseguir dinheiro fácil, a personagem de Cotillard se vê apaixonada pelo homem que agora, se tornou as pernas que ela já não tem, e é de partir o coração ver nos olhos dela o medo de passar uma vida afundada na solidão por não ser mais a mulher atraente que ela julgava ser, assim, nos compadecemos de nossa infeliz protagonista, que nada mais é que um reflexo das inseguranças de todos nós, com ou sem deficiência física.

Marion, que já tem um Oscar em casa por "Piaf" (sem dúvidas, a melhor atuação feminina da década passada, ao lado de Cate Blanchett em "Não estou lá") é um nome certo nas indicadas desse ano na categoria "Melhor Atriz" por seu desempenho como Stéphanie, o que é mais do que justo, pois aqui ela dá a sua personagem algo que muitas do ramo jamais conseguiriam dar, alma. Os elogios em torno de sua atuação só crescem e, apesar de ainda estarmos longe da premiação, é desde já uma das favoritas.

"Ferrugem e osso" é um daqueles filmes imperdíveis, que atende as exigências de diversos públicos sem ser comercial, não é explorado de todas as maneiras que poderia ter sido, mas é um trabalho e tanto do diretor francês, onde não há um final feliz ou triste, há uma abertura para novos caminhos, sejam para a dor ou para a salvação utópica pela qual a humanidade anseia.

Nota: 7.5

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


Na madrugada desta quinta-feira (06) foi liberada a lista dos indicados à maior premiação da música, o "Grammy Awards". Como de costume, algumas das categorias foram anunciadas em uma cerimônia de uma hora de duração na noite passada, onde tivemos shows ao vivo com artistas que estão, "no auge".

Em um ano em que Adele e Lady Gaga não lançaram material novo - quem sabe assim, outros cantores possam ter a oportunidade de levar o prêmio para casa - muitos não estavam animados com o anúncio dos indicados, mas apesar das injustiças, (álbuns muito bons, como "Halcyon" de Ellie Goulding e o "Electra Heart" de Marina and the diamonds passaram despercebidos, como já era esperado) os membros da Academia de Gravação surpreenderam com algumas de suas escolhas, a grande e agradável surpresa da noite foi a aparição de "Florence + the Machine" nas categorias "Melhor performance Pop em banda" e "Melhor álbum Pop - Ceremonials". Merecidamente, o grupo Fun lidera com 6 indicações, e na lista dos que vão brigar pelo Grammy 2013, temos também nomes como: P!nk, Kelly Clarkson, The Black Keys e Maroon 5.

O prêmio será entregue dia 10/02/2013. Confira abaixo a lista, divulgada pelo site do evento:

SONG OF THE YEAR"
The A Team" – Ed Sheeran
"Adorn" – Miguel
"Call Me Maybe" – Carly Rae Jepsen
"Stronger (What Doesn't Kill You)" – Kelly Clarkson
"We Are Young" – fun

ALBUM OF THE YEAR
The Black Keys – El Camino
Fun. – Some Nights
Mumford & Sons – Babel
Frank Ocean – Channel Orange
Jack White – Blunderbuss

BEST NEW ARTIST
Hunter Hayes
Frank Ocean
Alabama Shakes
The Lumineers
fun.

RECORD OF THE YEAR
The Black Keys – “Lonely Boy”
Kelly Clarkson – “Stronger (What Doesn’t Kill You)”
fun. Feat. Janelle Monáe – “We Are Young”
Goyte Feat. Kimbra – “Somebody I Used to Know”
Frank Ocean – “Think About You”
Taylor Swift – “We Are Never Ever Getting Back Together”

POP VOCAL ALBUM
Kelly Clarkson – "Stronger"
Florence + the Machine – "Ceremonial"
fun. – "Some Nights"
Maroon 5 – "Overexposed"
Pink – "The Truth About Love"

BEST POP SOLO PERFORMANCE
Set Fire To The Rain [Live] – Adele
Stronger (What Doesn't Kill You) – Kelly Clarkson
Call Me Maybe – Carly Rae Jepsen
Wide Awake – Katy Perry
Where Have You Been – Rihanna

BEST POP DUP/GROUP PERFORMANCE
Shake It Out – Florence & The Machine
We Are Young – Fun. Featuring Janelle Monáe
Somebody That I Used To Know – Gotye Featuring Kimbra
Sexy And I Know It – LMFAO
Payphone – Maroon 5 & Wiz Khalifa

BEST DANCE RECORDING
Levels – Avicii
Let's Go – Calvin Harris Featuring Ne-Yo
Bangarang – Skrillex Featuring Sirah
Don't You Worry Child – Swedish House Mafia Featuring John Martin
I Can't Live Without You – Al Walser

BEST R&B PERFORMANCE
Thank You – Estelle
Gonna Be Alright (F.T.B.) – Robert Glasper Experiment Featuring Ledisi
I Want You – Luke James
Adorn – Miguel
Climax – Usher

BEST TRADITIONAL R&B PERFORMANCE
Lately – Anita Baker
Love On Top – Beyoncé
Wrong Side Of A Love Song – Melanie Fiona
Real Good Hands – Gregory Porter
If Only You Knew- SWV

BEST RAP PERFORMANCE
HYFR (Hell Ya F***ing Right) – Drake Featuring Lil' Wayne
N****s In Paris – Jay-Z & Kanye West
Daughters – Nas
Mercy – Kanye West Featuring Big Sean, Pusha T & 2 Chainz
I Do – Young Jeezy Featuring Jay-Z & André 3000

BEST RAP/SUNG COLLABORATION
Wild Ones – Flo Rida Featuring Sia
No Church In The Wild – Jay-Z & Kanye West Featuring Frank Ocean & The-Dream
Tonight (Best You Ever Had) – John Legend Featuring Ludacris
Cherry Wine – Nas Featuring Amy Winehouse
Talk That Talk – Rihanna Featuring Jay-Z

BEST SHORT FORM MUSIC VIDEO
Houdini – Foster The People
No Church In The Wild – Jay-Z & Kanye West Featuring Frank Ocean & The-Dream
Bad Girls – M.I.A
We Found Love – Rihanna Featuring Calvin Harris
Run Boy Run – Woodkid

domingo, 2 de dezembro de 2012

Chegando cada vez mais perto da temporada de premiações no cinema, preparei nesta primeira postagem do “POPsicose”, uma lista dos que talvez sejam os filmes mais esperados pelo público e pela crítica atualmente, e que prometem ser grandes nomes no Oscar 2013.


5 - O lado bom da vida (David O. Russell)
Após provar ser uma das melhores atrizes da sua idade no cinema atual no ótimo “Inverno da alma”, Jennifer Lawrence se aventurou em “X-men: Primeira Classe” e no redondinho “Jogos Vorazes”, e parece que agora, finalmente, vai voltar aos filmes mais sérios com este “Silver Linings Playbook” (filme vítima de uma tradução horrorosa: “O lado bom da vida”). Seu nome está entre as favoritas ao Oscar de melhor atriz, e o longa, dirigido por David O. Russel, irá com toda a certeza ser um dos prediletos da crítica nessa temporada.
Estreia no Brasil: 01/02/2013

4 - Amor (Michael Haneke)
Vencedor da Palma de Ouro deste ano no Festival de Cannes (O diretor já havia ganho o prêmio a alguns anos atrás por "A fita branca"), o filme de Michael Haneke sobre um casal na faixa dos oitenta anos que tem de lidar com um derrame, promete ser  uma grande surpresa. Ver o homem que nos entregou produções como "Violência gratuita" que foca na podridão da humanidade, agora, filmar um drama sobre a velhice é no mínimo interessante, podemos esperar dele uma abordagem totalmente diferente sobre o tema (?). Emmanuelle Riva, certamente, estará entre as indicadas a "Melhor atriz" em diversas premiações.
Estreia no Brasil: 18/01/2013

3 - A hora mais escura (Kathryn Bigelow) 
As mulheres demoraram um pouco para ganharem espaço na direção de filmes, Sofia Coppola e Jane Campion já haviam ganho indicações ao Oscar, mas foi Kathryn Bigelow com seu "Guerra ao terror" que levou a estatueta pela primeira vez, em 2010. "Zero Dark Thirty" (que ainda não recebeu título em português) é o primeiro trabalho da diretora após sua vitória, e mostrará a caçada ao terrorista internacional Osama Bin Laden. O grande nome do elenco é o da atriz Jessica Chastain, que já é a queridinha de muitos críticos após sua personagem em "A árvore da vida" e "Histórias cruzadas".
Estreia no Brasil: 18/01/2013

2 - O Hobbit: Uma jornada inesperada (Peter Jackson)
Demorou, mas finalmente vai sair! A produção de "O Hobbit" já estava se tornando uma lenda e muitos pensavam que o filme jamais sairia do papel. Mas Peter Jackson assinou a direção e vai dar continuidade em suas filmagens na "Terra média". O longa se passa antes dos acontecimentos de "O senhor dos anéis" e conta as aventuras de Bilbo Bolseiro, que aparecia já com certa idade na trilogia anterior de Peter Jackson, que além de conquistar inúmeros fãs, conquistou 11 estatuetas no Oscar apenas com "O senhor dos anéis: O retorno do rei". O livro escrito por J.R.R. Tolkien, "O hobbit",  foi dividido em três partes para o cinema, e esta primeira chega até nós ainda neste mês de dezembro.
Estreia no Brasil: 14/12/2012

1 - Os miseráveis (Tom Hooper)
Depois do trailer monumental, com Anne Hathaway cantando uma música que pode ser entendida também como um lamento pela humanidade miserável que o título sugere, logo sentimos o tom melancólico que o musical de Tom Hooper irá apresentar quando chegar aos cinemas do mundo todo neste Natal. Sim, tornou-se o filme mais esperado nesta temporada e promete ser o grande nome nas premiações do inicio de 2013. Adaptação da obra de Victor Hugo, conta a história de um oficial da lei que precisa recapturar um fugitivo acusado de roubar comida para alimentar a família. Hoje, nos resta apenas esperar que 25 de dezembro chegue logo, com este que promete ser o melhor filme do ano!
Estreia no Brasil: 25/12/2012